Transformações???

Hoje, em mais um aniversário da cidade, faço uma reflexão e uma indagação?

  • Esta cidade, que hoje completa, 452 anos, está agora em transformação, apenas continua um rumo já traçado ou está involuindo ou em decadência?

As transformações de uma cidade em que se vive são difíceis de serem percebidas porque se perde - no dia a dia - a referência anteriror. Isso é mais perceptível por que está fora a visita esporadiacamente nota as diferenças entre a vista anterior e a atual.

A ciade de São Paulo sofreu grandes transformações: tornou-se a maior metrópole da América do Sul, uma das maiores cidades do mundo, em população, e um grande centro terciário, depois de ter sido um grande centro industrial.

A sensação é que a cidade não para de crescer, sempre com novos lançamentos imobiliários, com prédios em construção. Mas as estatísticas não confirmam isso. Há muitas áreas da cidade (principalmente as mais centrais) onde a população continua decrescendo. Os lançamentos imobiliários nos dois últimos anos, cairam proporcionalmente, com uma recuperação no final do ano.

O trânsito continua caotico e qualquer problema (ou impedância, como dizem os técnicos) gera intermináveis filas (ontem foram "faróis" apagados na Avenida Brasil.

Se há transformações, essa é do que para que?

Ter-se-ia completada a transformação de uma cidade industrial para uma sociedade terciária, uma sociedade de serviços, de lazer?

Os indícios são de que essa transformação ainda está em curso, com grande parte das indústrias tendo saido, algumas migrando para outras localidades, outras simplesmente fechando.

O que restou da cidade industrial são inúmeros galpões, grandes áreas descobertas, abandonadas pelas indústrias, que lentamente vão sendo ocupadas ou transformadas.

No aspecto físico, a transformação imobiliária continua sendo o de derrubar áreas previamente ocupadas com os "sobradinhos" para a construção de edifícios, sendo o Tatuapé, e - de novo - o Paraiso e adjacências as áreas mais dinâmicas. Há um processo de renovação imobiliária no Ipiranga e na Mooca. A preferência pelas áreas altas, continua promovendo a verticalização no Alto da Lapa, que - imobiliaramente - incorporou a Vila Hamburguesa e chegará à Vila Leopoldina.

Os novos padrões de uso e ocupação do solo fazem com que o setor imobiliário busque áreas maiores e essa são encontradas em áreas anteriormente ocupadas pelas indústrias. A reocupação dessas áreas pode ser o ciclo final da cidade industrial. Até mesmo os testemunhos físicos ficarão restritos a algumas peças de valor histórico ou artístico.

Essa transformação parece estar ocorrendo mais na região oeste (Barra Funda, Pompéia, Lapa) do que no sul (Brás, Mooca) onde era a maior concentração industrial. O trem pode ser o principal fator inibidor dessa renovação.

Além das transformações promovidas pelo próprio mercado, há um processo pretendido pelo Poder Público, na área central e mais especificamente na área caracterizada como Cracolândia.

Nessa área, embora já existam alguns indícios de mudança, o processo é lento e sujeito a reversões, pois é artificial e susentado apenas pela vontade política, que pode mudar com novos personagens no comando da Prefeitura ou Sub-prefeitura.

Na dimensão imobiliária, a transformação em curso, não é apenas de verticalização, mas de transformação de usos: tanto de áreas residenciais transformadas em áreas comerciais (ou de escritórios), como de áreas industriais transformadas em áreas residenciais ou comerciais. São transformações lentas.

Outra importante transformação prospectada nos 450 anos de vida da cidade, era o da Cidade Mundial. Com a maior inserção da economia brasileira no mercado mundial, a instalação dos escritórios de multinacionais no Brasil e desembarque das grandes redes internacionais de hotéis, concentrados na região da Berrini e Nova Faria Lima, havia indícios de uma grande e rápida evolução de São Paulo, como uma cidade mundial. Esse perspectiva povou as propostas da campanha eleitoral de 2004, mas se perdeu.

Voltado para "arrumar a casa" o Governo Municipal não deu importância a essa perspectiva, propondo-se a assumir o comando dessas transformação. O setor privado, pela reversão de expectativas em relação a um desenvolvimento econômico mais acelerado, também se retraiu. Há uma grande ociosidade de edifícios de escritórios AAA e cairam significamente os novos lançamentos dessa categoria.

A transformação de São Paulo em cidade mundial, parece ter entrado em compasso de espera. Ou esta ocorrendo e não está sendo percebida. Com isso estará perdendo oportunidades para a sua hoje principal concorrente: a Cidade do México.

Quando muito, São Paulo será uma cidade mundial de terceira ou mesmo de quarta categoria.

 



Escrito por Jorge Hori às 04h12
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Transformações??? - 2

A sensação que tenho, vivendo na cidade e lendo os jornais e revistas sobre o aniversário da cidade, que ela não está em transformação. Em muitos lugares parece estar em decadência.

Uma transformação importante, apesar do baque da Daslu, tem sido o desenvolvimento de São Paulo como um grande centro do comércio de luxo. Mas qual é o impacto efetivo dessa transformação na cidade? Gera apenas um nicho, um enclave ou tem impactos maiores? Afeta a imagem? Ou atrai ricos de outras regiões para fazer compras em São Paulo. Deixam eles de ir à Nova York, à Paris ou Londres porque podem comprar em São Paulo? Qual é a extensão dessa sociedade afluente na cidade? O que representou para a cidade a realização dos casamentos milionários, incluindo o de Athina Onassis, com repercussão internacional.

São Paulo é hoje um grande centro cultural, com diversos museus, com uma centena de teatros, todos em funcionamento, com atrações que não se encontram em outra cidade do país. Tem uma enorme variedade gastronômica e um elemento típico: a fila. Lugar bom é onde tem fila. Paulistano quer ir onde os outros vão.

Por outro lado a pobreza continua crescendo, ampliando a chamada "cidade informal". Dentro da cidade, mas cada vez mais fora dos limites oficiais do Município. Que só é conhecida pela classe média, pelo noticiário da violência.

Será que cabe planejar a evolução desta cidade (digo evolução, porque pode não ser crescimento) ou deixar que a dinâmica do mercado cuide dessa evolução. Caberia então aos Poderes Públicos apenas cuidar da infra-estrutura e dos serviços públicos, sejam os universais, como os destinados a suprir o atendimento da população de baixa renda que não tem acesso aos serviços privados, como o da saúde.

Sem dúvida a cidade está ficando mais rica. Mas cabe uma pergunta final para "amargar" a festa: a evolução (ou transformações) da cidade está contribuindo para tornar a cidade mais igual, ou está aumentando a desigualdade social?



Escrito por Jorge Hori às 04h04
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